“Cidade Livre” ou o inconformismo da literatura

Discurso ao receber o Pr√™mio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura em 23 de agosto de 2011 pelo romance “Cidade LIvre” (Pr√™mio de Melhor romance publicado entre maio de 2009 e maio de 2011).

“Cidade Livre” ou o inconformismo da literatura (*)

Jo√£o Almino

Meu romance ‚ÄúCidade Livre‚ÄĚ, pelo qual fui agraciado com este Pr√™mio, se passa num lugar e num tempo precisos, no lugarejo para onde aflu√≠ram comerciantes, trabalhadores, construtores e engenheiros que chegavam para a constru√ß√£o de Bras√≠lia, entre 1956 e 1960, e que deveria ser destru√≠do quando a nova capital fosse inaugurada. Mas, apesar de conter informa√ß√Ķes de uma hist√≥ria n√£o oficial, n√£o se trata de um romance hist√≥rico.

Tampouco se trata de uma literatura regional ou de Bras√≠lia. Tenho dito que o lugar onde se passa o enredo de um romance tem import√Ęncia secund√°ria em rela√ß√£o aos temas de que trata e sobretudo em rela√ß√£o a sua forma ou express√£o est√©tica.

Houve quem lesse “Cidade Livre” como um livro de mem√≥rias. Fico feliz quando me dizem que s√£o mem√≥rias convincentes e me confundem com o narrador. Algumas pessoas me procuraram para dizer: tamb√©m conheci fulano; tamb√©m vivi tal situa√ß√£o, vivi l√° na mesma √©poca que voc√™. A verdade √© que n√£o cresci na ‚ÄúCidade Livre‚ÄĚ, nunca estive l√° naqueles anos e as mem√≥rias do narrador s√£o inventadas e, em parte, pesquisadas, pois escrevi este livro quando morava em Chicago e recorri a mapas, relat√≥rios, depoimentos e cr√īnicas.

A Hist√≥ria com H mai√ļsculo e as descri√ß√Ķes do meio f√≠sico est√£o apenas na superf√≠cie do livro. O que me interessa √© a cria√ß√£o dos personagens, aos quais tenho de dar vida, colocando uns em confronto com outros, explorando suas contradi√ß√Ķes, seus amores, √≥dios, desaven√ßas, sua esperan√ßa e desespero. Em suma, √© explorar as profundezas da alma humana e sua complexidade.

N√£o quero apenas que esses personagens sejam portadores de uma clara e inequ√≠voca mensagem minha. Se fosse assim escreveria um artigo de opini√£o. Quando se trata de opini√Ķes e pontos de vista dos personagens, os bons romances, a meu ver, em vez de exprimirem vis√Ķes un√≠vocas, unidimensionais, muitas vezes exprimem ambiguidade, incoer√™ncia e perspectivas conflitantes, pondo lado a lado personagens radicalmente distintos ou explorando personagens em toda a sua complexidade e em sua mistura de bem e de mal.

Mais fundamental ainda para mim √© a experi√™ncia da pr√≥pria linguagem. Ainda que n√£o houvesse enredo, meu objetivo seria que o texto se sustentasse pela escolha mesma das palavras, umas se juntando a outras de forma inesperada, evitando os lugares comuns, criando novas formas de express√£o e espa√ßos amplos para a imagina√ß√£o. Palavras nunca s√£o suficientes para descrever a vida e suas emo√ß√Ķes, e no entanto a literatura tenta agrup√°-las de tal maneira a se aproximar da express√£o de momentos e sentimentos √ļnicos.

O fato de eu ter situado cinco romances em Bras√≠lia curiosamente causa surpresa. Ningu√©m se surpreende com livros cujas hist√≥rias se passam nos lugares mais rec√īnditos do mundo, como ali√°s deve ser. Mas ou√ßo frequentemente a pergunta: por que Bras√≠lia?

Por que n√£o Bras√≠lia? Al√©m de ser uma cidade como qualquer outra, onde seres humanos vivem suas hist√≥rias e inspiram outras tantas, √© uma cidade como nenhuma outra. √Č uma ideia e um projeto que acompanhou toda a hist√≥ria do Brasil independente, prestando-se a uma leitura do Pa√≠s. Pode-se dizer que a ideia da constru√ß√£o da nova capital corresponde a uma utopia elaborada ao longo de toda a hist√≥ria do Brasil ‚Äď e essa utopia pode ser contrastada criticamente com a experi√™ncia.

Nesse sentido Bras√≠lia √© um mito, e suas caracter√≠sticas podem inspirar uma po√©tica ou ide√°rio est√©tico-liter√°rio. √Č um territ√≥rio novo para a fic√ß√£o, caracterizado por um enorme poder simb√≥lico.

Pode simbolizar, por exemplo, o desenraizamento, a hibridiza√ß√£o e a transculturalidade, temas centrais de ‚ÄúCidade Livre‚ÄĚ. Prefiro pens√°-la como local de identidades m√ļltiplas, cambiantes e principalmente em aberto ‚Äď sendo esse um dos sentidos que se pode dar ao pr√≥prio t√≠tulo do romance —‚ÄúCidade Livre‚ÄĚ.

Sem falar das consequ√™ncias pol√≠ticas nefastas do apego √†s ra√≠zes, elas de fato raramente existem: as migra√ß√Ķes culturais s√£o fen√īmeno n√£o apenas de hoje, t√™m ocorrido mais ou menos em toda parte e tornam dif√≠cil isolar de qualquer influ√™ncia o autenticamente aut√≥ctone. Na Am√©rica, somos na√ß√Ķes bastardas ou √≥rf√£s, condi√ß√£o que implica mais liberdade e tamb√©m mais responsabilidade na constru√ß√£o de uma √©tica e de um destino.

O fato de minhas histórias se situarem num lugar que foi ou é um relativo vazio também me ajudou na tomada de partido contra o estereótipo e o pitoresco.

A liberdade para criar no território vazio não implica, contudo, o apagamento da memória. Naquele relativo vazio os vários brasis se encontram e se entrecruzam, trazendo toda a carga de seus passados. Para ele posso trazer, portanto, histórias de todo o Brasil, inclusive do Nordeste onde nasci e cresci.

Se n√£o estou preocupado com puras ra√≠zes ou identidades, por outro lado minha literatura tem uma obsess√£o pelo tema da funda√ß√£o, do novo. Na funda√ß√£o, na cria√ß√£o e no novo h√° uma quest√£o de fundo religioso, m√≠stico e tamb√©m filos√≥fico, cient√≠fico e liter√°rio ‚Äď outro bom material para a fic√ß√£o. Em ‚ÄúCidade Livre‚ÄĚ, trata-se da hist√≥ria de um lugar sem hist√≥ria, da funda√ß√£o de uma cidade, que √© tamb√©m, na cabe√ßa de muitos, a funda√ß√£o de um pa√≠s, de uma nova civiliza√ß√£o, de um novo mundo e de uma nova humanidade. Um tema recorrente que perpassa o da funda√ß√£o √© a reflex√£o sobre o tempo ‚Äď ou mais precisamente sobre o instante e sua rela√ß√£o com o eterno.

H√° tamb√©m a quest√£o da vontade e do livre arb√≠trio. Diferentemente da maioria das cidades, que resultam do acaso, do encontro fortuito e da necessidade, Bras√≠lia √© fruto do esp√≠rito e da vontade. Os controles exercidos por seu plano racional e quase matem√°tico s√£o, por sua vez, subvertidos pelos movimentos espont√Ęneos da hist√≥ria de seus habitantes.

Bras√≠lia √©, al√©m disso, uma boa met√°fora para as contradi√ß√Ķes do mundo moderno. Convida a pensar sobre a ideia do moderno que a fundou, uma ideia que envelheceu com ela e que pode ser analisada em retrospectiva, como um futuro que j√° √© passado, mas ainda habita a imagina√ß√£o dos brasileiros. Mais do que os ideais modernistas ou as aspira√ß√Ķes modernizadoras, s√£o os processos de desmoderniza√ß√£o que minha literatura vai explorar. Os impulsos vanguardistas s√£o ali colocados lado a lado com a anti-modernidade e o que √© percebido como atrasado e arcaico.

A racionalidade do plano contrasta, por exemplo, com o misticismo que tem acompanhado a hist√≥ria da cidade, desde o frequentemente citado sonho prof√©tico de D. Bosco √†s prele√ß√Ķes do Mestre Yokaanam ou de Tia Neiva, m√≠sticos citados em “Cidade Livre”. √ćris Quelem√©m, minha personagem do ficcional Jardim da Salva√ß√£o algo aprendeu com eles e com a explica√ß√£o milenarista da funda√ß√£o da cidade, que transforma a hist√≥ria num cap√≠tulo de m√ļltiplas teologias ou de um amplo movimento c√≥smico.

Tanto nos projetos e an√°lises que se baseiam em pressupostos racionais quanto nas express√Ķes irracionais existe um ideal de grandeza, que acompanhava o entusiasmo dos fundadores: no primeiro caso, Bras√≠lia deveria exprimir a grandeza da vontade nacional, fundar um novo pa√≠s, moderno como a arquitetura de sua capital; ser a base de uma nova e mais justa sociedade. Andr√© Malraux, tamb√©m citado em ‚ÄúCidade Livre‚ÄĚ, definia Bras√≠lia como ‚Äúa primeira das capitais da nova civiliza√ß√£o‚ÄĚ e ‚Äúa cidade mais audaciosa que o Ocidente j√° concebeu.‚ÄĚ

Os m√≠sticos, √† sua maneira, imaginaram algo semelhante. Para alguns deles existiria um tri√Ęngulo localizado no Planalto Central, que sobreviveria √† grande cat√°strofe e seria o ber√ßo de uma nova era, uma nova civiliza√ß√£o e uma nova humanidade.

Tudo isso contrasta com o dia a dia de Bras√≠lia, em que n√£o faltam os engarrafamentos de tr√Ęnsito, a viol√™ncia, a pobreza e a desigualdade social vis√≠vel na expans√£o das cidades sat√©lites.

Est√°, assim, exacerbada ali a tens√£o entre o moderno e o arcaico que est√° no cora√ß√£o do mundo contempor√Ęneo.

Como o mito de Bras√≠lia me atraiu mais do que sua hist√≥ria, criei em meus romances meu pr√≥prio mundo ficcional. ‚ÄúO historiador registra, enquanto o romancista deve criar‚ÄĚ, j√° dizia E. M. Foster em Aspectos do Romance. No mais das vezes, n√£o se trata de transpor para a fic√ß√£o personagens de carne e osso, mas, ao contr√°rio, de fazer com que personagens imagin√°rios sejam absolutamente veross√≠meis. E essa verossimilhan√ßa existe quando os colocamos lado a lado com personagens conhecidos do grande p√ļblico e que tiveram exist√™ncia real. Em Cidade Livre misturei mem√≥rias inventadas e a fic√ß√£o propriamente dita, que √© sempre o aspecto definidor de um romance, com uma pesquisa sobre as origens hist√≥ricas da cidade, ao tentar captar o clima de euforia da √©poca da constru√ß√£o, uma euforia que em alguns aspectos se assemelha √† que vivemos hoje, pois tamb√©m JK acreditava que o Brasil seria a quinta maior economia do mundo dentro de dez anos.

N√£o foi apenas no Brasil que a constru√ß√£o de Bras√≠lia atraiu as aten√ß√Ķes, de um lado sendo vista com ceticismo e de outro produzindo espanto e admira√ß√£o. Fotos da cidade em constru√ß√£o vinham estampadas em jornais e revistas em v√°rias partes do mundo. Muitos foram seus visitantes ilustres, ainda antes da inaugura√ß√£o, entre eles chefes de Estado e escritores presentes ou evocados em Cidade Livre. Como em outros de meus romances, existem igualmente descri√ß√Ķes do espa√ßo ou refer√™ncias a fatos conhecidos dos brasilienses. No entanto, nenhum desses personagens ilustres, nem JK e nem mesmo o mitol√≥gico Bernardo Say√£o, engenheiro respons√°vel pelos primeiros trabalhos da constru√ß√£o, ocupam posi√ß√Ķes de destaque na trama do romance. Os personagens centrais, que transmitem as emo√ß√Ķes e paix√Ķes, ou seja, as tristezas, alegrias e sonhos, s√£o todos puras cria√ß√Ķes liter√°rias: o narrador √≥rf√£o, seu pai adotivo, suas duas tias e principalmente um homem simples, um candango que ajuda na constru√ß√£o de Bras√≠lia e, em raz√£o de sua hist√≥ria, do pr√≥prio romance.

Esta Bras√≠lia que mistura mito e hist√≥ria, ideais de modernidade e processos de desmoderniza√ß√£o, utopia e a mais crua realidade p√≥s-ut√≥pica, ser√° a Bras√≠lia real? Ou a Bras√≠lia real √© apenas a cidade goiana, interiorana, de car√°ter regional forte? Ou n√£o ser√° ela sobretudo um Brasil profundo presente nas cidades sat√©lites, constru√≠das espontaneamente √† revelia dos arquitetos e urbanistas? Nas suas primeiras hist√≥rias certamente h√° espa√ßo para muitas bras√≠lias, o que pode ser dito ao contr√°rio: nas muitas bras√≠lias h√° espa√ßo para todo tipo de literatura. N√£o pretendo que Bras√≠lia seja minha literatura nem mesmo que minha literatura exprima a Bras√≠lia real ou verdadeira. Ela exprime apenas um ponto de vista, o da minha pr√≥pria Bras√≠lia ficcional, feita de elementos d√≠spares e √†s vezes contrastantes: de hist√≥ria e imagina√ß√£o, mito e realidade, ideia, projeto e utopia e tamb√©m suas nega√ß√Ķes.

Por mais que um texto de fic√ß√£o queira parecer nada mais do que a fotografia do que existe, as escolhas feitas pelo autor t√™m a ver com ideias √†s vezes pr√©-concebidas, noutras vezes com a emo√ß√£o sentida ao contato com determinada cena ou situa√ß√£o. A realidade tem muitas dimens√Ķes, e algumas delas s√£o subjetivas e simb√≥licas. A literatura, a meu ver, deve se libertar da mera descri√ß√£o jornal√≠stica. Deve ir al√©m da narra√ß√£o de fatos conhecidos. Ela √© √†s vezes mais eficaz n√£o quando expressa o que foi visto ou dito, mas sim o que est√° escondido ou foi silenciado; n√£o o que aconteceu, mas o que n√£o p√īde acontecer; n√£o o que √© conclusivo, mas o que √© incompleto, fragment√°rio e obl√≠quo; n√£o o que traz respostas, mas o que prop√Ķe perguntas.

Devemos, portanto, matizar o sentido do que seja o conhecimento transmitido pela literatura. H√° romances que apresentam discuss√Ķes morais e filos√≥ficas ou que transmitem informa√ß√Ķes hist√≥ricas ou de outra natureza, mas n√£o devemos entender o conhecimento neste sentido estreito, de transmiss√£o de saberes. Frequentemente a cria√ß√£o liter√°ria nasce das incertezas, da busca e da aventura. Muitas das grandes obras liter√°rias n√£o enfocam temas espec√≠ficos, mas, ao contr√°rio, tratam de algo t√£o amplo e complexo como a pr√≥pria vida.

Eu diria que, como regra geral, os bons escritores entram no territ√≥rio da fic√ß√£o quando todas as outras formas de linguagem s√£o insuficientes para exprimir o que querem, e √© por isso que sua fic√ß√£o resiste √†s simplifica√ß√Ķes e comporta m√ļltiplas interpreta√ß√Ķes que variam com o tempo. O escritor coleta ou suga informa√ß√Ķes, experi√™ncias e hist√≥rias das mais diferentes fontes e depois trata de dar forma √† desordem e ao caos, criando uma estrutura e uma arquitetura feitas de palavras.

A literatura pode esclarecer e trazer ao primeiro plano aquilo que estava escondido e parecia obscuro. Alethea, em grego ‚Äúverdade, mem√≥ria‚ÄĚ, √© a nega√ß√£o de Lethe (noite, escurid√£o, esquecimento). Mas a verdade com a qual o escritor trabalha, a que ele traz √† luz dos fundos da escurid√£o, a que estava relegada ao esquecimento e ele recupera pela mem√≥ria, √© a verdade da pr√≥pria da fic√ß√£o.

Mais do que ser real ou verdadeira, no sentido de corresponder ao que de fato existe, a história narrada pelo escritor deve pertencer, assim, à realidade da própria ficção, na qual a verossimilhança é mais importante do que a realidade entendida como o que de fato aconteceu. E não cabe ao escritor apenas retratar ou representar a realidade. Em suma, o realismo não basta.

Mas a solu√ß√£o liter√°ria tampouco passa pela idealiza√ß√£o dos fatos e situa√ß√Ķes. N√£o adianta pintar de cor-de-rosa o que √© negro. Acho que a literatura n√£o deve se desviar do desafio de revelar os subterr√Ęneos da mente e o lado escuro da vida, o que pode ser feito inclusive com humor.

Para nada serve a literatura em particular, e no entanto sua leitura √© necess√°ria e n√£o √© sem consequ√™ncia. Para mim pessoalmente, a literatura tem que ter ambi√ß√£o. Prefiro ler textos irrequietos, que buscam caminhos novos, sobretudo na linguagem, e prop√Ķem uma vis√£o de mundo. A boa literatura deve ter essa ambi√ß√£o n√£o necessariamente para edificar ou instruir o leitor, mas para inquiet√°-lo, causar-lhe surpresa e faz√™-lo ver algo inesperado. A literatura pode avan√ßar o conhecimento, mas √© pobre quando se limita a uma fun√ß√£o did√°tica e ao universo da mera opini√£o.

Ela deve revelar, interrogar, tornar √≥bvio o que parecia obscuro, e problematizar o que parecia claro. Para mim a literatura n√£o √© sobre a realidade; √© realidade mesma, realidade da pr√≥pria linguagem. N√£o √© sobre a experi√™ncia. √Č experi√™ncia e aventura. Deve ser criativa, portanto. Livre e fundadora. Ou, vista de outra forma, vai al√©m da realidade e da experi√™ncia, porque sua natureza √© essencialmente inconformista.

Sobretudo ‚Äď e com isso concluo minhas palavras — resiste a todas as positividades, ao conhecimento j√° adquirido e √†s formas conhecidas, liberando a pr√≥pria liberdade dos sentidos j√° adquiridos. Est√° sempre em busca de uma nova express√£o, n√£o necessariamente para explicar ou para descobrir os sentidos do mundo, mas para criar emo√ß√£o, d√ļvida e vertigem.

(*) Discurso pronunciado pelo autor em 23 de agosto de 2011 por ocasião do recebimento do Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura de melhor romance em língua portuguesa publicado entre maio de 2009 e maio de 2011.


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