Enigmas da Primavera

de Jo√£o Almino (editora Record, 2015)

Pedro Meira Monteiro

Reflex√£o c√Ęndida e profunda sobre a falta de alternativas, este livro √© tamb√©m sobre a raz√£o que, aliada √† imagina√ß√£o, faz brotar sa√≠das. N√£o a raz√£o abstrata e onipotente, capaz de promover o horror, mas uma raz√£o que quer testar o mundo e aprender, no embate perene entre a toler√Ęncia e a intoler√Ęncia.

O passo quixotesco da narrativa, os livros que se inscrevem dentro do livro, o herói falhado, a religião e a fé, o oriente e o ocidente, o islã, o cristianismo e o judaísmo, o Brasil e o mundo, tudo se condensa neste romance em que a juventude e a política se dão as mãos, como a lembrar que, há não tanto tempo, o impossível ainda parecia necessário e urgente.

Diante das mais d√ļbias primaveras, o protagonista busca, confuso e insaci√°vel, o horizonte que reconforta, mas que teima em se fazer distante. Este √© um livro sobre o roubo da utopia, e √© portanto sobre o nosso tempo. Mas ele √© tamb√©m, ao fim, uma aposta alta e sonora no renascimento da esperan√ßa. Enigmas da primavera, em suma, √© sobre o tempo em que o futuro e o desejo se encontram, tendo o escritor como √ļnica e angustiada testemunha.


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